segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Após Um Câncer

Há treze anos minha mãe teve um tumor maligno no cérebro. Muito mudou em sua vida e na de todos nós que a compartilhamos. Na época, optamos por não contar a ela sobre a malignidade do tumor. Ela era uma pessoa muito sensível e provavelmente se entregaria à doença. Oito anos após a cirurgia, com periódicas tomografias e ressonâncias magnéticas, o médico a deu como curada. Só então ficou sabendo da verdade e passou a se considerar forte, pois não acreditava que venceria uma doença como essa.
Contar ou não ao paciente? O médico sempre leva primeiro ao conhecimento da família, para que a mesma tome a decisão. Receber uma notícia de que se está com câncer é uma rasteira daquelas que derruba qualquer um. Alguns se levantam, outros permanecem caídos, afundando cada vez mais. Ninguém melhor que o conjugue e os filhos para decidir, uma vez que são eles que convivem e conhecem o emocional do enfermo. Para encarar esse tipo de situação é necessária muita união. Todos têm que trabalhar para o bem estar e tranqüilidade do paciente. Paciência, carinho e conter o próprio choro, são necessários. A luta contra essa doença não é de um só, mas de todos.
Algumas pessoas são providas naturalmente de um fortalecimento interno. Essas enfrentam um câncer com determinação. Entre essas, umas prolongam o tempo de vida, mas acabam morrendo. Outras se curam e ainda permanecem vivas por muito tempo. Em qualquer dos casos, uma terapia é fundamental. O terapeuta deve ser avisado se o indivíduo sabe ou não sobre a doença.
Há coisas que mudam. No caso de minha mãe, ela não ficou com qualquer déficit em seus cinco sentidos. Porém, devido ao anticonvulsivante que deverá tomar pelo resto da vida, se tornou mais lenta para andar e tira diversas sonecas a qualquer hora do dia. Sendo assim, não trabalha mais e nem pode dirigir automóveis, entre outras situações. Essas mudanças podem causar depressão, baixa auto-estima e sentimento de menos valia. Os familiares devem estar atentos a esses sintomas.
No último domingo, meu pai havia saído e minha mãe queria ler minha coluna. Resolveu então sair a pé até o jornaleiro para comprar o jornal. No caminho levou um tombo na calçada. Todos avisados, passamos a tarde no hospital, onde ela permaneceu até a manhã do dia seguinte em observação. A questão do jornal, já resolvi. Fiz uma assinatura para que o receba em casa. De resto, só tenho a agradecer:
Que bom que Deus deu sabedoria suficiente ao homem para fazer tais cirurgias, desenvolver tratamentos e remédios...que bom que existe um Deus para termos fé e que nos dá força para enfrentarmos esse tipo de situação...que bom que Deus deixou nossa querida mãe viva e que temos uma mãe, para nos preocuparmos e passarmos a tarde de domingo em um hospital...
Isso é amor! É família! É união!
Precisamos renovar nossa fé todos os dias. Afinal: ... “somos brasileiros e não desistimos nunca”...
Muita fé no coração de vocês!
Paz.